Parceiros

Parceiros
Mercevolks

Parceiros

Brasil: Meirelles afirma que "crise política não afetará crescimento da economia brasileira" Leia a reportagem abaixo

Ministro negou intenção de adiar reformas


Ministro Henrique Meirelles participa de evento em Paris no 
Ministério de Economia da França - Fernando Eichenberg

PARIS – O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, acredita que o Brasil vai reverter este ano a queda de investimentos verificada no país nos últimos anos, e que a atual crise política não afetará o crescimento do PIB no país.
— Não haverá retração. Até agora, os números de investimentos foram positivos este ano. Tivemos, inclusive, um crescimento substancial de investimento no mês de maio em relação a abril. Então o importante é que a tendência é de avanço, na medida em que o país já retomou a trajetória de crescimento. Dito isso, a questão política será resolvida, em um prazo curtíssimo ou um pouco maior se for o caso. O fato concreto é que as perspectivas de crescimento se mantêm. A projeção que temos para este ano continua de uma taxa de crescimento do PIB acima de 2%, comparando o último trimestre de 2017 com igual período de 2016. E esta projeção poderá ainda até aumentar para o ano de 2017 – garantiu nesta sexta-feira, em Paris, após participar do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe.
LEIA MAIS: Em evento em Paris, Meirelles é chamado de 'golpista'
Meirelles apontou a queda do PIB de 8% nos dois últimos anos, contra uma redução de 30% para os investimentos.
— A tendência de recuperação do investimento é mais rápida, exatamente porque a queda foi maior e tem mais espaço e maior necessidade de crescer. Estamos conversando com um número grande de empresas francesas aqui que mostram um interesse muito grande de continuar investindo no Brasil. Portanto, nossa previsão é a de que deve haver um aumento do investimento maior do que o crescimento do PIB este ano.
O governo, no entanto, ainda não tem uma estimativa de qual será o índice de aumento de investimentos neste ano:
— Não temos essa projeção. Acredito que com a consolidação dessa trajetória de crescimento nos próximos meses possamos ter uma estimativa mais precisa – acrescentou.
REFORMAS
Henrique Meirelles negou que haja uma intenção de suspensão da agenda das reformas trabalhista e da Previdência por parte do Palácio do Planalto, por causa da crise política que atinge o presidente Michel Temer.
— Ele (Temer) não disse que não fará as reformas. A minha expectativa é de que as reformas continuem. Você pode ter um certo ajuste de cronograma, mas que não me parece algo prolongado, tanto que a reforma trabalhista já foi votada na comissão especial do Senado. Acho que o importante é que o trabalho continua. Evidentemente que parlamentares têm suas opiniões diversas, mas, por exemplo, o presidente da Câmara (Rodrigo Maia) tem dito com toda clareza que pretende colocar as reformas em votação.
O ministro não abandonou a expectativa de que a reforça trabalhista seja votada ainda este mês:
— É importante deixar claro que se for este mês, melhor; se for em julho, está bom, se for em agosto, não tem muito problema. Tenho enfatizado de que quanto mais cedo melhor, mas não vamos criar um limite artificial que não pode ser rompido. Temos de colocar as coisas realisticamente: se há um ajuste de cronograma, tudo bem, o importante é que as reformas sejam aprovadas no momento em que forem votadas, isso que é relevante – ressaltou.
Meirelles acredita que os ajustes de cronograma não terão repercussão negativa junto aos mercados internacionais, mas afirmou que é preciso sinalizar a continuidade das reformas:
— Os investidores têm entendido que temos duas questões diferentes. A discussão sobre a Previdência data de meses, e nossa expectativa desde o final do ano passado, quando a reforma foi apresentada, é que seria aprovada até junho ou julho. Mas que se fosse em agosto ou setembro, a diferença, do ponto de vista fiscal, não é muito grande. Estamos falando de reforma de longo prazo. No caso da reforma trabalhista, visa o aumento da capacidade do país de crescer, criar empregos, produzir bens e serviços a menor custo. De novo, isso não é uma questão que vai acontecer em dois meses. Mas do ponto de vista de formação de expectativa no mercado é muito importante que o Brasil dê demonstrações que vai se empenhar no programa de reformas.
AUTONOMIA DO BC
Meirelles amenizou a demora no projeto de autonomia do Banco Central, que teria sido mais uma vez adiado pelo governo:
— Existem prioridades. A prioridade agora é a reforma trabalhista, a segunda é a da Previdência, e a terceira é a fiscal. O BC é uma medida da maior importância. O Banco está tendo toda a autonomia de ação, operacional – que eu próprio tinha quando estava lá. A inflação está caindo, o juro também. É isso que interessa. Mas olhando a longo prazo, é positivo que isso (a autonomia) seja feito em algum momento no Brasil. Mas não é a prioridade agora.
SITUAÇÃO POLÍTICA
Para o ministro, a atual situação política no Brasil, apesar da crise, é “normal” do ponto de vista institucional:
— O importante é que tudo no Brasil está sendo feito dentro da Constituição e das normas vigentes. Temos agora o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Caso haja outros procedimentos, serão todos feitos dentro da normalidade. O julgamento do TSE deve ser concluído esta semana. A minha hipótese de trabalho é uma continuidade da administração, do presidente, e vamos em frente. E o importante é que há um consenso no brasil de que essa linha de politica econômica tem que ser mantida em qualquer circunstancia.
NELSON BARBOSA
Questionado sobre o artigo do ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa, em que critica a atual reforma trabalhista proposta pelo governo, Meirelles disse respeitar “opiniões divergentes”:
— Não há dúvida de que a presente estrutura trabalhista no Brasil tem grupos, fóruns de opinião que acreditam que deveria ser mantida. Por outro lado, existe, na nossa visão, na maioria, que acha que a reforma trabalhista é necessária para dar maior flexibilidade, maior produtividade à economia e, por consequência, maior taxa de crescimento. Isso está em debate no Congresso. Foi aprovado, mas não é unanimidade. É normal que haja um debate democrático e que as pessoas expressem sua opinião. É muito saudável isso.


PROTESTO
O ministro comentou o protesto durante sua apresentação no Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, quando uma brasileira foi retirada da audiência após chamá-lo de “golpista”.
— É absolutamente normal, um processo ao qual já estamos acostumados em Brasília, onde houve protestos bastante mais numerosos. Faz parte da democracia, do debate. Aliás, na última manifestação em Brasília o prédio do Ministério da Fazenda foi totalmente preservado o que é um sinal positivo. O fato concreto é que processos de manifestações é normal, evidentemente no caso de Brasília a destruição de bens públicos é negativa, isso afeta o patrimônio de todos os brasileiros, mas a livre manifestação é absolutamente legítima e saudável para a democracia.
* Especial para O GLOBO

patrocínios

patrocínios