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Região Sudoeste: Indústria da seca segue com altos lucros, e população cada vez mais miserável em Brumado.


Foto: Lay Amorim/Brumado Notícias

Sem um projeto amplo e eficiente de convivência com a seca, os sertanejos seguem sua vida de sofrimento com a pouca assistência de água, seja para o consumo humano ou para a criação animal. O cenário de desolação atinge grande parte da caatinga nos estados nordestinos. Na Bahia, dos 417 municípios, mais de 200 estão em estado de emergência por conta da seca. Dentre as cidades afetadas está Brumado, que com cerca de 70 mil habitantes contabiliza mais de 18 mil pessoas em 271 comunidades rurais sem água potável. Há mais de uma década, a prefeitura de Brumado vem atualizando o decreto de emergência e, nesse período, ações mais eficazes poderiam ter sido direcionadas para ajudar as famílias afetadas. Já poderia ter sido construída a segunda etapa da Barragem de Cristalândia, o que teria aumentado o volume da lagoa da barragem de 16 milhões de metros cúbicos para 30 milhões de metros cúbicos de água e facilitaria a canalização do líquido para a maioria das comunidades carentes de água. No entanto, ao invés disso, o governo estadual assiste às famílias com a Operação Pipa, que fornece apenas alguns litros de água nas casas dos camponeses. 


Foto: Lay Amorim/Brumado Notícias

Neste cenário há os que torcem pela desgraça alheia, de onde tiram seus lucros. A indústria da seca é cruel e implacável, pois, mesmo com as dificuldades do homem do campo, a proposta é tirar ainda mais do suor do produtor rural cobrando preços exorbitantes pela água bruta transportada nos caminhões pipas. A tabela de preços não nega o quanto se fatura com a seca em Brumado: muitas famílias pagam caro para conseguir colocar água bruta em seus reservatórios. Nossa reportagem colheu informações de que os valores praticados para entrega de um caminhão pipa variam entre R$ 200 e R$ 250, dependendo da distância da localidade para a sede do município. Moradores do Distrito de Cristalândia, por exemplo, onde está a barragem que abastece Brumado e Malhada de Pedras, pagam o valor máximo pelo caminhão pipa que busca água bruta na maioria das vezes na Barragem do Rio do Antônio, quando um morador da cidade consegue encher seus reservatórios varias vezes ao mês e paga menos que R$ 20 de água tratada. Em meio a essa injustiça social, a indústria da seca se sustenta do sofrimento do sertanejo.

Por Brumado notícias

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