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Pós carne fraca: Exportação de car­nes bra­si­lei­ras cai e frigoríficos demitem mais de 280 funcionários

Ex­por­ta­çõ­es de­sa­ba­ram de US$ 63 mi­lhõ­es, em mé­dia, por dia pa­ra US$ 74 mil de­vi­do às res­tri­çõ­es de com­pras por 12 paí­ses

Bra­sí­lia – As ex­por­ta­ções de car­nes bra­si­lei­ras de­sa­ba­ram. Da­dos do Mi­nis­té­rio da In­dús­tria, Co­mér­cio Ex­te­rior e Ser­vi­ços (Mdic) apon­tam que, an­tes da di­vul­ga­ção da Ope­ra­ção Car­ne Fra­ca, o va­lor mé­dio diá­rio de ex­por­ta­ções do pro­du­to era de US$ 63 mi­lhões. On­tem, as ven­das ao ex­te­rior to­ta­li­za­ram US$ 74 mil, o que re­pre­sen­ta que­da de 99,9%.
Ta­ma­nha que­da nas ex­por­ta­ções cho­cou o mi­nis­tro da Agri­cul­tu­ra, Pe­cuá­ria e Abas­te­ci­men­to (Ma­pa), Blai­ro Ma­g­gi. Em­bo­ra per­sis­ta no es­for­ço pa­ra apre­sen­tar ex­pli­ca­ções aos par­cei­ros de co­mér­cio do Bra­sil no mer­ca­do in­ter­na­cio­nal, ele ad­mi­te que, dian­te da brus­ca que­da nas ven­das ex­ter­nas, não con­se­gui­rá mais al­çar a ex­por­ta­ção de car­nes bra­si­lei­ras de uma par­ti­ci­pa­ção de 6,9% do mer­ca­do mun­dial pa­ra 10%, que era uma das me­tas do go­ver­no.

“O que so­fre­mos é uma pan­ca­da. Um so­co no es­tô­ma­go. É al­go tão for­te que, ao olhar pa­ra os 7%, te­nho que tra­ba­lhar pa­ra fi­car nos 7%. Não con­si­go me olhar in­do pa­ra os 10%. É um cho­que for­te que es­se se­tor não me­re­cia so­frer”, dis­se Ma­g­gi on­tem, em au­diên­cia pú­bli­ca rea­li­za­da pe­las co­mis­sões de As­sun­tos Eco­nô­mi­cos (CAE) e de Agri­cul­tu­ra e Re­for­ma Agrá­ria (CRA) do Se­na­do.

Pre­juí­zos já são con­ta­bi­li­za­dos pe­lo mi­nis­té­rio. A ava­lia­ção do mi­nis­tro Ma­g­gi é de que os des­do­bra­men­tos ge­rem per­das de 10% do vo­lu­me de cer­ca de US$ 15 bi­lhões de ex­por­ta­ções de car­nes, o que de­ve ge­rar pre­juí­zo de US$ 1,5 bi­lhão ao ano pa­ra o Bra­sil. Dian­te de uma cri­se sem pre­ce­den­tes no agro­ne­gó­cio bra­si­lei­ro, o go­ver­no tem pres­sa pa­ra es­tan­car a san­gria nas ex­por­ta­ções. Ma­g­gi, in­clu­si­ve, des­ta­cou a in­ten­ção de vi­si­tar os paí­ses que sus­pen­de­ram a im­por­ta­ção da car­ne pa­ra pres­tar es­cla­re­ci­men­tos pes­soal­men­te.
“O gran­de tra­ba­lho, ago­ra, é de re­cu­pe­rar e reor­ga­ni­zar for­ças e de via­jar o mun­do. An­dar no­va­men­te, reex­pli­car e ten­tar con­ven­cer o que acon­te­ceu aqui. Que fo­ram des­vios de al­gu­mas pes­soas, e não no for­te sis­te­ma da in­dús­tria que te­mos, que apos­ta fir­me­men­te que é um dos pon­tos for­tes do nos­so país”, afir­mou o mi­nis­tro.

A ideia foi en­dos­sa­da pe­lo mi­nis­tro do Mdic, Mar­cos Pe­rei­ra. Pa­ra ele, uma ope­ra­ção con­jun­ta do go­ver­no com o Le­gis­la­ti­vo e o se­tor pro­du­ti­vo se­rá ne­ces­sá­ria pa­ra ame­ni­zar os im­pac­tos. “O go­ver­no fe­de­ral, com con­vi­te ao Se­na­do e ao se­tor pro­du­ti­vo, de­ve fa­zer mis­sões pa­ra in­ten­si­fi­car ações in­ter­na­cio­nais”, dis­se.

O pri­mei­ro pas­so des­sa for­ça-ta­re­fa pe­lo Mdic se ini­cia em 6 de abril, quan­do o mi­nis­tro Pe­rei­ra par­ti­ci­pa­rá do Fó­rum Eco­nô­mi­co Mun­dial, em Bue­nos Ai­res. A in­ten­ção é apro­vei­tar a opor­tu­ni­da­de e es­cla­re­cer aos go­ver­nos ex­ter­nos as ações pa­ra su­pe­rar a cri­se.

De acor­do com ba­lan­ço do mi­nis­té­rio até on­tem à noi­te, que não con­si­de­rou o em­bar­go da Áfri­ca do Sul, o nú­me­ro de paí­ses ou blo­cos que man­têm al­gu­ma res­tri­ção ao pro­du­to do Bra­sil caiu pa­ra 11, já que a Co­reia do Sul ha­via blo­quea­do a com­pra de pro­du­tos da BRF, do­na das mar­cas Sa­dia e Ber­di­gão, mas vol­tou atrás e de­sis­tiu da de­ci­são. A pas­ta con­si­de­ra que os pe­di­dos de in­for­ma­ção e sus­pen­sões tem­po­rá­rias dos paí­ses des­ti­na­tá­rios de car­ne e de­ri­va­dos bra­si­lei­ros são uma “rea­ção na­tu­ral” de­pois da ope­ra­ção.

Salsichas e frangos apreendidos 

O mi­nis­tro da Agri­cul­tu­ra acom­pa­nhou, ain­da on­tem, ope­ra­ção de fis­ca­li­za­ção em um su­per­mer­ca­do na Asa Nor­te, em Bra­sí­lia. Fo­ram en­con­tra­dos três pro­du­tos ori­gi­ná­rios de es­ta­be­le­ci­men­tos que fo­ram al­vo da Ope­ra­ção Car­ne Fra­ca. Os fis­cais re­ti­ra­ram das gôn­do­las sal­si­chas ao vi­na­gre­te da mar­ca Italli, pro­du­zi­da por uma das plan­tas in­ter­di­ta­das do fri­go­rí­fi­co Pec­cin. O mes­mo foi fei­to com so­bre­co­xas de fran­go e fi­lés de pei­to com er­vas fi­nas da mar­ca Sea­ra.

Os pro­du­tos fi­ca­rão re­ti­dos no de­pó­si­to do su­per­mer­ca­do até que se­ja con­cluí­da aná­li­se so­bre sua qua­li­da­de. A apreen­são, ex­pli­ca­ram os fis­cais, é pre­ven­ti­va. A Vi­gi­lân­cia Sa­ni­tá­ria, da Se­cre­ta­ria de Saú­de, tam­bém fez ins­pe­ção de car­nes on­tem em Bra­sí­lia. O tra­ba­lho foi fei­to no Jar­dim de In­fân­cia 1, no Cru­zei­ro. O ob­je­ti­vo foi ve­ri­fi­car os dois lo­tes de car­nes re­ce­bi­dos pe­la es­co­la da em­pre­sa JBS, do­na da mar­ca Fri­boi e in­ves­ti­ga­da na ope­ra­ção da PF. Os fis­cais re­ti­ra­ram três amos­tras de ca­da um dos lo­tes de car­ne, com 2 qui­los ca­da uma, pa­ra aná­li­ses fí­si­co-quí­mi­cas e mi­cro­bio­ló­gi­cas. (Com agên­cias)

Frigoríficos demitem 280 

Al­vos da Ope­ra­ção Car­ne Fra­ca, dois fri­go­rí­fi­cos da Re­gião Me­tro­po­li­ta­na de Cu­ri­ti­ba, do gru­po Cen­tral de Car­nes Pa­ra­naen­se, sus­pen­de­ram on­tem suas ati­vi­da­des, se­gun­do o si­te de no­tí­cias G1. Com o fe­cha­men­to das uni­da­des, 280 pes­soas te­riam si­do de­mi­ti­das. 

Ain­da se­gun­do o G1, o fri­go­rí­fi­co Mas­ter Car­ne já en­fren­ta­va pro­ble­mas eco­nô­mi­cos an­tes de de­fla­gra­da a ope­ra­ção da PF. As in­ves­ti­ga­ções te­riam com­pli­ca­do as ven­das. A em­pre­sa é in­ves­ti­ga­da por su­pos­ta prá­ti­ca de cor­rup­ção e in­je­ção de pro­du­tos cár­neos (da cor de car­ne).

O fri­go­rí­fi­co%u2008Sou­za Ra­mos é in­ves­ti­ga­do, de acor­do com o si­te de no­tí­cias, por­que te­ria for­ne­ci­do sal­si­chas fo­ra do pa­drão pa­ra es­co­las do Pa­ra­ná. Te­ria ha­vi­do subs­ti­tui­ção de car­ne de pe­ru por fran­go. A em­pre­sa in­for­mou que o es­ta­be­le­ci­men­to foi ad­qui­ri­do após ocor­ri­das as su­pos­tas ir­re­gu­la­ri­da­des.

Ao co­men­tar as re­per­cus­sões do ca­so, o mi­nis­tro da Agri­cul­tu­ra, Blai­ro Ma­g­gi, dis­se, on­tem, que o no­vo po­si­cio­na­men­to da Po­lí­cia Fe­de­ral (PF), ad­mi­tin­do que os pro­ble­mas en­con­tra­dos na in­ves­ti­ga­ção são pon­tuais, é um fa­tor im­por­tan­te pa­ra a re­to­ma­da das ven­das de pro­teí­na ani­mal. Pa­ra o mi­nis­tro, “a po­pu­la­ção con­fia mui­to na PF”.

Fa­zen­do co­ro às pa­la­vras de Ma­g­gi, o pre­si­den­te do Sin­di­ca­to Na­cio­nal dos Au­di­to­res Fis­cais Fe­de­rais Agro­pe­cuá­rios (An­ffa Sin­di­cal), Mau­rí­cio Por­to, afir­mou que o dé­fi­cit des­ses pro­fis­sio­nais no Mi­nis­té­rio da Agri­cul­tu­ra é da or­dem de 850 fun­cio­ná­rios. Na ter­ça-fei­ra Ma­g­gi ha­via di­to que a quan­ti­da­de de fis­cais es­tá aquém das ne­ces­si­da­des.

Por O Estado de Minas

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