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Ministerio da saúde adverte: Sífilis atinge maiores índices de doentes e governo trata a bactéria como epidemia

Especialistas ouvidos pela CBN dizem que o aumento dos diagnósticos está relacionado com uma série de fatores, como: falta de medicamento, má atenção no atendimento básico e má gestão. Sífilis atingiu seus maiores índices.



Quantidade de pessoas infectadas a cada cem mil habitantes em todos os estados do Brasil

Crédito: Ministério da Saúde

Por Athos Moura

Morador da Região Sudeste, branco ou pardo, entre 20 e 29 anos e sem escolaridade definida. De acordo com dados do Ministério da Saúde, esse é o perfil das pessoas que mais se contaminaram com sífilis no Brasil, em 2015, e fizeram o governo declarar que trata a doença como caso de epidemia. Especialistas ouvidos pela CBN dizem que o aumento dos diagnósticos está relacionado com uma série de fatores, como: falta de medicamento, má atenção no atendimento básico, má gestão e maior rede de atendimento. No ano passado, foram registrados 65.878 novos casos, o que fez a taxa de infecção saltar de 32,2 para 42,7 casos para cada cem mil habitantes entre 2014 e 2015. A maior preocupação é com a sífilis congênita, que atinge recém-nascidos contaminados pela mãe. Entre 2010 e 2015, houve um aumento de 170% na quantidade de casos e atualmente a taxa é de 6,5 bebês infectados para cada mil que nascem vivos, treze vezes mais alta do que o tolerado pela Organização Mundial de Saúde.

Segundo a própria OMS, a forma mais eficaz de tratar a doença é com penicilina. Porém, nos dois últimos anos, em todo o mundo, a matéria-prima para produzir o remédio está escassa. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis, Mauro Romero, os governos, nas três esferas, não se prepararam para a falta do medicamento.

"Eu tenho absoluta certa que o que aconteceu nos últimos anos, nos últimos dois anos, é que a coisa ficou frouxa. Ninguém assumiu para si a responsabilidade de reconhecer que a penicilina benzatina é o único produto registrado no mundo e eficaz para tratar as gestantes, o mundo todo diz isso, e no Brasil a coisa ficou largada. As DST não recebem atenção diuturnamente, mas diuturnamente tem gente tendo relação sexual e se contaminando", contou.

O maior salto entre as taxas foi justamente no período em que a penicilina estava em falta no mercado. Apenas neste ano o Ministério da Saúde comprou o medicamento e distribuiu para os postos de saúde espalhados pelo Brasil se baseando na incidência de casos. Levando em conta apenas a sífilis adquirida, sete estados ficaram com taxas acima da nacional, com destaque para o Rio Grande do Sul, que registrou em 2015, 111,5 casos para cada cem mil habitantes, seguido do Espírito Santo com 85,2. O obstetra João Bosco Meziara, membro da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo, contou que existem outros fatores para o aumento de casos, já que existem outros remédios que podem tratar da sífilis, na falta da penicilina. 

"Nós tivemos um problema na falta do medicamento principal que é a penicilina, ela estava em falta na rede pública. Apesar de a penicilina ser a droga principal e mais efetiva para o tratamento da sífilis, nós temos outras drogas que podem substituir, principalmente em pessoas que tem alergia. Mas o tratamento, o diagnóstico mal feito e tardio, e as baixas notificações têm contribuído para que o recrudescimento exista. Talvez, agora, com as portarias do Ministério da Saúde obrigando uma maior notificação, os números de casos têm tem aumentado por estarem sendo mais notificados e isso faz aumentar as estatísticas também", alegou o médico.

Na semana passada, diversas entidades se reuniram e assinaram um compromisso para tentar reduzir a quantidade de pessoas doentes e unificar o tratamento. Até o ano passado, apenas profissional de saúde com ensino superior podia aplicar a penicilina. Agora, profissionais com curso técnico também estão autorizados. A diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Adele Benzaken, disse que um dos fatores que impede que a quantidade de casos diminua é a resistência de profissionais de saúde em aplicar a penicilina por causa dos efeitos colaterais. No entanto, ela explica que o risco é baixo:
"A resistência dos profissionais em fazer a administração da penicilina na atenção básica foi detectada pelo próprio Ministério que 50% das equipes de saúde da atenção básica têm receio em aplicar a penicilina com medo do choque anafilático. Para esclarecer a população de que não deve existir esse temor. O percentual de choque anafilático com penicilina na gestação é muito baixo. Então teve essa resistência dos profissionais", disse a diretora. 

Apesar de não falar abertamente sobre o assunto, o governo pretende aumentar o valor da penicilina como incentivo para as empresas farmacêuticas produzirem o produto, que é considerado muito barato. De acordo com a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, responsável pelo reajuste médio dos preços dos medicamentos, o aumento dos remédios é anual e segue o sistema de teto de preço, que se baseia nas alíquotas de ICM para fazer as correções. Além disso, o Ministério da Saúde também informou que providencia uma nova compra de penicilina, a partir de janeiro do ano que vem.

 

Correção: diferentemente do que a CBN informou anteriormente, a sífilis é causada por bactéria, e não por vírus.

Por CBN notícias

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